por Arp » Quarta-Feira 24 Fevereiro 2010, 10:57
Ao fim de sete anos de seminário, doze diáconos candidatos ao sacerdócio na I.C.A.R., fazem a prova final para serem ordenados.
Completamente nus e em fila, com um sininho amarrado ao pénis, assistem ao bailado erótico que uma escultural bailarina vai exibindo individualmente a cada um deles.
Esta é uma prova de resistência aos apelos da carne em que o silêncio ou toque do sino servirá para testar se já atingiram o estado de pureza espiritual requerido à função a que são candidatos.
A mulher vai lançando a cada um deles tudo o que conhece para despertar a libido masculina, movimentos de cópula, olhares lânguidos, as mãos a deslizar pelos seios, pelas coxas, para dentro de si mesma e... nada. Os onze primeiros candidatos ficam que nem estátuas de granito e parecem ver através da bailarina, não movendo um músculo.
Já o júri, um arcebispo, dois bispos e quatro padres, está todo de pau feito debaixo da protecção dos paramentos e os candidatos a aguentar firme (ou frouxo, dependendo do ponto de vista) quando, de repente, a sala se enche do estrepitoso som de um sininho.
O último da fila não aguenta a pressão e o sino salta por todos os lados acabando por se soltar e cair ao chão.
No silêncio que se segue o rapaz, vermelho de vergonha, sai da fila, avança três passos na direcção do sino caído e baixa-se para o apanhar, de traseiro voltado para os outros.
Então, numa algazarra ensurdecedora, onze sininhos desatam a tocar.
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
Arp